quarta-feira, 8 de junho de 2011

GRACIOSA E AGRESSIVA KUNDAPURA


Pequena cidade do estado do Karnataka, logo abaixo de Goa, Kundapura tem como principal atrativo uma praia livre de turistas e até mesmo de nativos. Correnteza forte, ondas pequenas e uma água deliciosamente morna são cenário perfeito para um banho de mar para lá de agradável. Mas estrangeiros acabam se tornando a atração principal da vizinhança. Se ao chegar há ninguém, o mesmo não se pode dizer depois de cinco minutos. Não se sabe de onde nem como, mas os indianos aparecem de repente e, sorrateiramente, espiam quem está na água. E podem ficar horas a fio, satisfazendo a curiosidade e a vontade – eles não passam da espuminha, só entram em grupo e vestidos da cabeça aos pés.
Se por um lado tudo é maravilha, de outro, toda a atenção ainda é pouca. Kundapura é reduto do BJP, o partido da extrema-direita hinduísta. Entre seus principais preceitos, está o ódio aos estrangeiros. Diante disso, a sensação de insegurança e de “personas non gratas” é constante e passa pelo olhar mortal de quem passa pelas ruas ao garçom do restaurante, que vai te servir com a cara mais amarrada do mundo, sempre vai errar o pedido e nunca vai te olhar – o que é melhor, pois do contrário, será com cara de quem quer te matar. Isso nos dois restaurantes localizados dentro do hotel, de altíssimo nível em termos de conforto, limpeza e atendimento.
Problemas até mesmo com a agência de viagem, que te vende um bilhete da pior compartimento do trem como se fosse de primeira classe – pelo menos descobrimos o golpe antes de embarcar.
Sendo assim, a melhor decisão às vésperas da final da Copa do Mundo de Criquet, o esporte nacional indiano, é deixar Kundapura e seguir viagem rumo ao Kerala. Já na semifinal, quando a Índia eliminou o Paquistão, a saída para a foto durou uns poucos minutos, devido aos ânimos um tanto quanto exaltados de quem passou a tarde bebendo. A confusão era iminente diante dos olhares agressivos.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

GOA PORTUGUESA


O estado de Goa, na costa Oeste, mostra aos olhares estrangeiros algo entre o peculiar e o exótico, mistura que rapidamente revela uma outra Índia, diferente de qualquer parte do país. Seja na arquitetura, na linguagem ou no modo de vida da população, tudo ganha ares particulares. Ex-colônia portuguesa, assim como as cidades de Diu e Damão, guarda ainda raízes da língua portuguesa e exibe as influências europeias nas edificações em estilo colonial. Aliás, andar por Goa é sentir-se em casa. Em Panaji, a capital, as igrejas com a praça logo em frente cercadas por antigos casarões parecem as cidades históricas de Minas Gerais. Outras vezes, vielas e as escadarias em ruas estreitas dão a impressão de se estar em Lisboa. Sentimento ainda mais forte quando se vê o nome de logradouros indicados em finos azulejos. Ou quando os azulejos estão bem na entrada dos imóveis, escancarando o nome da família proprietária. Um verdadeiro pedaço de Portugal!
Os portugueses de Goa formam uma espécie de clã, orgulhoso de suas origens e saudoso dos tempos da colônia. Sangue português correndo nas veias e condenação no lugar da libertação são alguns dos conceitos repetidos inúmeras vezes por diferentes pessoas. O reduto de muitos é a Loja do Bento, especializada na venda de vinhos produzidos na Índia ou em Portugal e uísques. Local movimentado pelo vaivém de quem passa para beber um trago, dizer apenas “Oi” ou sentar para uma prosa mais longa. Aliás, de boa prosa eles entendem bem e são capazes de passar horas a fio contando um bom “causo”! Sem falar do futebol… Torcedores do Sporting e do Porto travam verdadeiras batalhas esportivas, engraçadas aos ouvidos de quem é neutro dentro do campo.
Na companhia de Sélvio Fernandes, o típico indiano com cara de português, descobrimos a hospitalidade goesa, várias facetas da cultura local e uma amizade livre de fronteiras. Além de um passeio gastronômico em elegantes restaurantes, em casa ou na simplicidade de um estabelecimento à beira-mar, dono de uma fineza culinária inesquecível. E como se não bastasse tanta generosidade, ele ainda é do tipo que ajuda no que precisar, a qualquer momento, sem pestanejar.
Mas, Goa tem várias faces. E, justamente por isso, atrai muitos turistas estrangeiros, principalmente em busca de sol e mar nos vilarejos – nesses locais, é grande a quantidade de russos e outras nacionalidades da Europa do Leste. E turistas significam injeção de dinheiro, um movimento que chega ao nível da ganância e que muda a cara de antes pacatas cidades. Não é possível andar 10 metros – sem qualquer exagero – sem ouvir a pergunta “Táxi?”, seja na capital ou, incrivelmente, até nos vilarejos, nos estreitos e sinuosos caminhos de terra até a praia. No fim do dia, a paciência fica inversamente proporcional à quantidade de abordagens. O pior é o preço cobrado, que ultrapassa os limites do bom senso.
No caso das praias, como em Anjuna, uma das cidades mais procuradas pelos estrangeiros, a frase-chave, num inglês parco, é: “Come visit my shop”. A “loja” nesse caso é uma tenda improvisada ao longo do caminho ou à beira-mar vendendo, principalmente, roupas. Ou, ainda, o modelo ambulante: todas as mulheres soltam as mesmas frases – “How are you?” e “From?” – para, em seguida, oferecer as bijouterias guardadas em pequenas caixas. Tudo normal se isso não ocorresse 10 mil vezes num curto período de tempo.
A comida também é um nó: além de ser muito mais cara que em Mumbai, por exemplo, tem uma qualidade bem inferior. O problema é que os moradores desses lugarejos têm seis meses para fazer dinheiro para os próximos seis, quando as chuvas chegarão e os turistas terão ido embora. Assim, explorar se torna básico, mesmo quando a oferta de restaurantes, táxis e “shops” é muito maior que o número de estrangeiros.
Os estrangeiros, aliás, além de capital em potencial, são a atração dos turistas indianos, por causa da roupa de banho. Indianos só entram no mar vestidos completamente (com a roupa do dia a dia mesmo, embora alguns homens se arrisquem a ficar de calção), em bando e não passam da espuminha. Logo, para eles é incrível ver as mulheres de biquíni, os homens de sunga e entrando mar adentro. A cena é motivo para homens e mulheres nativos passarem horas observando, tirar fotos ou até mesmo pedir aos estrangeiros para posar ao lado deles. Os mais tímidos preferem ser fotografados com os “peladões” ao fundo, numa discrição muito mal ensaiada!
DROGAS Outra face de Goa são as drogas lícitas e ilícitas. Como o estado é zona franca, o preço das bebidas é irrisório. Uma dose de uísque, por exemplo, custa cerca de R$ 1. Já uma garrafa de cerveja 600ml sai por menos de R$ 2. Também ponto forte do comércio, no caso das praias mais frequentadas pelos estrangeiros, é a venda de entorpecentes em qualquer canto e a qualquer hora do dia e da noite.
E, outra particularidade desses locais: nesse caso, em território de indiano o que se ouve é música eletrônica ou trance, seja na música ambiente dos restaurantes ou em festas organizadas à noite em bares à beira-mar. A maioria esmagadora dos frequantadores são turistas de fora do país, normalmente também responsáveis pela organização. Poucos indianos espreitam o que se passa, alguns na expectativa de flertar ou ter algo a mais com alguma estrangeira, já que entre os hindus o namoro é um capítulo bem diferente.
Mas isso não ofusca os bons momentos, como aqueles do fim do dia, na volta da praia, com parada obrigatório para jogar conversa fora com o funcionário Santoshi, um indiano que fala tudo o que os outros não falam, o suíço Bent (casado com uma indiana) e o finlandês Jan (lê-se Ian. Ele trabalha na bolsa de valores, passa cinco a seis meses em Goa há três anos consecutivos e opera as ações de seu computador, algumas horas do dia, longe do frio e bem perto do sol. Em junho, volta para casa para aproveitar o verão da Finlândia) .
Ou a oportunidade de participar de uma das datas mais importantes da Índia, o Holy Day, celebração da alegria, da chegada do ano novo dos hindus, em que a ordem é jogar pó colorido uns nos outros. Momentos em que se aprende um pouco mais sobre as concepções de vida de cada um e as surpresas de um mundo nem tão grande assim.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

GALERIA DE FOTOS 3

Mais uma sequência de fotos para vocês também seguirem viagem! Agora, imagens de Mumbai, o centro econômico da Índia; de Goa, estado que já foi colônia de Portugal; e da cidade de Kundapura, no estado do Karnataka, mais ao Sul do país.

Cenas dos trens e das loucas estradas indianas também estão retratadas nesta galeria.

Apreciem!



terça-feira, 15 de março de 2011

GALERIA DE FOTOS 2

Mais fotos disponíveis! Desta vez, a magia do Taj Mahal e os encantos do céu de Agra, além de um passeio por Damão, a ex-colônia portuguesa.

Viajem!



quarta-feira, 9 de março de 2011

É CARNAVAL!!!

Confete e serpentina também do outro lado do mundo. Em plena Índia, quatro dias de carnaval, exatamente na mesma época que no Brasil. A festa ocorre em Goa – assim como as cidades de Damão e Diu, o estado é uma ex-colônia portuguesa. Os desfiles começaram sábado, na capital, Panaji. Mais três cidades recebem a parada. Milhares de pessoas acompanharam a passagem de 90 blocos e 55 carros alegóricos num percurso de  três quilômetros. À frente, a corte momesca abre caminho – sim, por aqui ele também faz sucesso!
Cristãos, hindus e muçulmanos se espremem nas laterais da avenida para não perder nem um momento. À noite, carnaval em pleno mar, em navios luxuosos. Festa para indianos, majoritariamente, e também para os estrangeiros. Máquinas fotográficas a postos, ninguém se intimida em invadir a passarela para registrar a festa.
Na terça-feira, Red and Black Party, cores obrigatórias do traje, para celebrar o último dia da festa pagã, com muita música e dança. Pena que terminou precocemente por causa da intervenção proposital da polícia hindu que com a desculpa de som alto ser proibido depois de determinada hora (eram nem 23h e a licença permitia o show até as 2h) agiu pelo simples prazer de acabar com a alegria dos outros… 

SURPREENDENTE MUMBAI


Contrariando todas as expectativas, Mumbai (ex-Bombay) se revelou extremamente interessante. Ao chegar ao centro nevrálgico da Índia, logo se compreende porque todos falam que chegar em Delhi é um choque. Tudo é diferente, a começar pela limpeza e pela organização do trânsito, com semáforos que realmente funcionam – mesmo os indianos sendo muito impacientes e não respeitando muito o verde e o vermelho, preferindo se jogar entre os carros. No lugar mais populoso da Índia, as buzinas são bem menos usadas que nas pequenas cidades do Norte do país – reflexo da organização.
Mumbai, formada por sete ilhas, é uma bela cidade e tem uma história que remonta a anos antes de Cristo. Depois de várias dinastias, foi cedida a Portugal em 1534 pelo sultão do Gujarat (estado indiano). Aliás, foram os portugueses que batizaram o lugar de Bom Bahai, mas o deixaram de lado por um bom tempo, até ser incluído no dote de Catarina de Bragança, por ocasião de seu casamento com o Charles II da Inglaterra, em 1661.
A região Sul da cidade poderia ser, facilmente, uma mistura de Rio de Janeiro com São Paulo. O Forte é, sem dúvida, uma das áreas mais charmosas – onde se localiza o forte de Mumbai, construído nos anos 1720.  Passear por algumas ruas da região dos bancos é como andar pela Avenida Paulista, mas muito mais interesante. A arquitetura, em estilo colonial imponente, é maravilhosa e, não fosse o calor, poderia-se pensar que estamos em Londres. O quartel da polícia, o museu Chhatrapati Shivaji Maharaj Vastu Sangrahalaya (ex-Prince of Wales Museum) e a estação de trem Chhatrapati Shivaji Terminus (ex-Victoria Terminus) são exemplos de edifícios para lá de imponentes - todos os monumentos tiveram os nomes trocados do inglês para o hindu depois da libertação indiana.
Já um passeio pelas ruas de Colaba, perto do mar, é mergulhar nas lembranças de Ipanema e Jardim Botânico.Tudo é conservado, desde que esteja nas avenidas principais. Entrar um pouco no interior é descobrir prédios mal conservados e aquele odor que não deixa ninguém esquecer que está na Índia. Pelo menos, ao contrário de Delhi, as ruas de Mumbai não transformadas em banheiro público.
Mas como em toda grande cidade, a periferia tem seus problemas. O caminho do aeroporto é perturbador e, por isso, a primeira impressão é de que os outros cenários de pobreza e sujeira vão se repetir. A paisagem são as favelas às margens da avenida. Favelas que fazem de qualquer barraco no Brasil uma casa de luxo. Cobrindo a editoria de cidades e vivendo esse mundo no dia a dia, nunca vi nada igual. Nada de morros, tudo em linha reta, parecendo não ter fim. Pedaços de madeira, lonas e o que mais servir cobrem verdadeiros caixotes. Pessoas, lixo e o odor formam uma mistura impressionante.
A capital econômica da Índia tem várias faces e, por aqui, é possível encontrar de tudo. Lado a lado com a pobreza está também o luxo e o glamour. Restaurantes para os paladares ocidentais mais exigentes, lojas de extremo bom gosto e uma cena cultural pujante. Passear na região de Flora Fontaine no domingo pela manhã, entre o Forte e Colaba, por exempo, é ter a certeza de encontrar os carros de luxo antigos, conduzidos por colecionadores blionários.
Não se pode esquecer que é também a terra da indústria cinematográfica. Nos restaurantes e cafés mais chiques da cidade, é fácil topar com uma estrela do momento. Melhor ainda é ser convidado para uma noite muito agradável com um dos ícones de Bollywood, o ator Jackie Shroff, que atuou em quase 200 filmes. Primeiro, o chá das cinco num clube que congrega excelentes restaurantes, haras, espaço para casamentos da alta sociedade e, ao mesmo tempo, é uma bolha verde em plena Mumbai. Depois, um drink e petiscos já tarde da noite. Entre um e outro, histórias, lições e muita conversa boa. E quem já imaginou ter um super star como motorista? Pois é, como não bastasse tanta hospitalidade, terminamos a noite com uma carona de Jackie Shroff – ele na direção, o secretário ao lado e nós no banco de trás, na maior mordomia!
Mumbai multifacetária, Mumbai cultural, Mumbai em expansão, surpreendente Mumbai!

terça-feira, 1 de março de 2011

GALERIA DE FOTOS

Um pouco da Índia registrado pelas lentes do fotógrafo Alain Dhomé. Um passeio por formas, cores e pessoas. A galeria começa com imagens de Delhi, Mathura e Vrindavan. Aos poucos, mais da fotos da mágica Índia estarão disponíveis!

Enjoy it!